quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Guarulhos em novos tempos II....


Ei que pensaremos em uma nova idéia, ideologia, uma nova construção ,um novo caminho, que venha direcionar à um novo rumo de pensar em arte e criação, que venha futuramente a transformar a realidade da Cidade e dos cidadães guarulhenses
Bom saber que ainda à "cabeças pensantes" em Guarulhos.....
Mariana Tatos


Texto de Marília Salles*

Tudo de Novo de Novo

Mais uma vez os artistas da grande e tão pequena cidade de Guarulhos se encontraram.
Pela primeira vez, um secretário de cultura representado por seu adjunto convocou uma reunião com os artistas da cidade, dividido por áreas para saber suas necessidades. Boa iniciativa.Um pouco preocupante algumas questões como apresentar sua peça de teatro e ter público, dificilmente alguém pensa mecanismos para resolver o problema, por isto dá a impressão de que os artistas da cidade estão sempre no mesmo ponto e não conseguem avançar.
A reunião era importante para discutir a cultura da cidade e colocar propostas a respeito. Se não houver propostas para a cultura da cidade como um todo, outras questões que parecem ser menores como apresentar sua peça e ter público nunca serão solucionadas. Não estou menosprezando e tornando a questão de ter público para o teatro menor, pelo contrário, é necessário ter um projeto de formação de público, mas o ter público vejo como uma conseqüência de outras ações fundamentais. Existe certa confusão em pensar um projeto para formação de público. Ainda acha-se que encher o teatro de pessoas é formação de público. Confunde-se o acesso com o uso. Não se consegue perceber que a pessoa pode ir ao teatro e nunca mais voltar. Como se consegue garantir o acesso e o uso? Acredito que esta seja uma das questões principais para um projeto de formação de público.

As oficinas culturais da cidade estão sempre recomeçando, não existe plano pedagógico, um aluno que inicia a oficina em um ano e pretende continuar no ano seguinte corre o risco de pegar a oficina com qualidade pior ou igual ao ano anterior.
A “Escola Viva de Artes” foi criada com o intuito de oferecer cursos de direção, interpretação, cenografia, dramaturgia e produção, qualquer pessoa pode se inscrever, mas diferente das oficinas na “Escola Viva” o artista aprofundaria questões, e teria uma continuidade do curso. Infelizmente não acontece.

O Funcultura da cidade vem sendo um dos maiores problemas por selecionar projetos de Memória e Patrimônio Histórico juntamente com outras categorias: Artes Cênicas, Artes Visuais, Livro e Literatura, Música e Cultura Popular. É uma injustiça, pois gasta-se um valor relevante da verba com um projeto de patrimônio histórico, e o restante divide-se entre as outras categorias. Deveria ter um financiamento somente para patrimônio histórico ou procurar alternativas de financiamento, talvez iniciativa privada.
A cidade não tem identidade. Não se consegue mapear as reais necessidades para se propor algo, existe sempre uma cópia de algo que deu certo em algum lugar.
Hoje a cidade tem quatro teatros públicos e mais um em construção, mas não explora os teatros e anfiteatros privados da cidade que não são poucos, desde os teatros das escolas particulares até os hotéis.

Ainda precisa-se de muito para a cultura da cidade realmente ser fomentada e conseguir atender a demanda de artistas existentes na cidade. Hoje os artistas acabam saindo da sua cidade para trabalhar em outros lugares, e enquanto isto a secretária de cultura de Guarulhos contrata artistas de fora para darem aulas, se apresentarem em Guarulhos, estamos andando na contramão. Guarulhos tem a 8ª maior economia do país o que comprova que recursos e dinheiro a cidade tem, precisa ser bem utilizado e haver um planejamento.
Mas agora é tudo novo, vamos pensar daqui para frente. Começamos de maneira diferente, isto é bom.


*Marília Salles é artista guarulhense, integrante do Teatro dos Orelhas da cidade de Guarulhos

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